A Procuradora-Geral do Município, Jenifer, compareceu ao encontro representando o Poder Executivo e garantiu categoricamente aos familiares que nenhum atendimento será interrompido e que não existe decisão da Prefeitura ou da Secretaria de Saúde aberta a cancelamentos de serviços. Jenifer explicou que o Executivo e a Saúde se reuniram previamente para avaliar os questionamentos das mães e compreenderam que as discussões jurídicas precisam ser alinhadas com a equipe técnica que atua diretamente na assistência às crianças. Por isso, uma reunião técnica multidisciplinar foi agendada para a próxima terça-feira (29), às 10h, reunindo profissionais da saúde e da ONG para traçar um plano de trabalho eficiente. A Procuradora também colocou seu contato direto à disposição das famílias para receber as dúvidas formalizadas e defendeu a inclusão de uma representação dos pais nas deliberações com o corpo técnico.
Representando a ONG Amor Maior, a assessora jurídica Elenice explicou aos presentes que os comunicados anteriores funcionaram como um alerta sobre demandas que vinham sendo discutidas com o município, destacando que ainda não existe um documento definitivo formalizado impondo divisão engessada por níveis ou implantação imediata de rodízio. Elenice frisou que a entidade atua para cumprir as obrigações legais, mas ressaltou a importância das soluções administrativas consideradas a realidade do atendimento a quem está na ponta.
Os vereadores Juliano e Cebola reforçaram o compromisso do Legislativo em intermediar o impasse e manter a regularidade dos serviços. Durante os debates, foi evidenciado que grande parte dos repasses provém de emendas impositivas dos próprios vereadores (que destinam de 30% a 40% de suas cotas anuais para a instituição). Cebola apontou a necessidade de encontrar formatos orçamentários fixos e duradouros, via dotação própria da Saúde ou Assistência Social, para que o serviço não dependesse exclusivamente de vontades políticas a cada legislatura. Foi destacado ainda o desafio administrativo de equilibrar a estrutura frente a uma fila de espera de pelo menos 30 crianças já elogiadas no município aguardando vaga.
O momento de maior emoção foi o relato de um pai de aluno atendido, que declarou a inviabilidade de um sistema de rodízio fechado (como especulado em 20 ou 30 sessões). O pai destacou que o desenvolvimento de uma criança autista depende da criação de vínculos de confiança e da manutenção de rotinas rígidas com os terapeutas, processo que muitas vezes exige ofertas de semanas apenas para gerar as primeiras respostas e comportamentos clínicos. Ele explicou as dificuldades financeiras das famílias, que chegam a desembolsar R$ 800,00 por avaliações neuropediátricas sem direito a retorno no setor privado, e alertou que uma interrupção de seis meses à espera de nova vaga provocaria um retrocesso drástico em todo o desenvolvimento já conquistado pela criança.
Com o compromisso público firmado de que os atendimentos seguem fechados, o caso agora aguardado a reunião técnica de terça-feira, na qual Executivo, Legislativo, especialistas da ONG e comissão de pais buscarão um denominador comum para consolidar o novo plano de trabalho e buscar alternativas para atender as famílias em espera.

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